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Home›.Tudo›“Somos todos negros…” – Entrevista – O Poste

“Somos todos negros…” – Entrevista – O Poste

Por 4 Parede
11 de abril de 2015
2331
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4aParede - O Poste

“Somos todos negros, temos origens idênticas e histórias que nos completam…”

 

Um dos grupos em maior atuação no teatro pernambucano nos últimos anos, o grupo O Poste Soluções Luminosas, capitaneado por Samuel Santos, Naná Sodré e Agrinez Melo, destacou-se em 2014 por ser um dos grupos teatrais a criar seu próprio espaço – voltado para ensaios, temporadas, cursos, workshops e outras atividades.

Esta forma de resistência cultural e ocupação da cidade pela arte teatro motivou o convite do Magiluth à participação do grupo na programação do TREMA! Festival, em que Naná entrega seu monólogo A Receita (confira o teaser AQUI), dirigida por Samuel.

Confira como foi a entrevista que o Quarta Parede realizou com Samuel.

Entrevista – Márcio Andrade | Imagens – Divulgação

O Poste é um grupo relativamente recente e mostra uma transição pessoal de você, Samuel, que parte de espetáculos infanto-juvenis para outros mais voltados para a “africanidade”. O que motivou essa transição?

O grupo O Poste Soluções Luminosas nem é tão recente assim: ele surgiu em 2004 e tinha sido criado para assessorar, criar e montar iluminação cênica para as produções teatrais da cidade. Em 2008, o grupo muda de perfil e começa a montar seus próprios espetáculos.

Quanto à minha trajetória, na realidade, comecei a dirigir ao mesmo tempo uma peça para crianças – A Terra dos Meninos Pelados – e outra para adultos – Não feche os olhos esta noite. Este é um equilíbrio que será comum durante toda a minha carreira, como os infantis O Amor do Galo pela Galinha D’Água e Historinhas de Dentro e os adultos A Cantora Careca, Bom Samaritano, Auto da Barca dos Mundos, G’Daubach…

Mas, em 2008/09, quando dirigi Cordel do Amor Sem Fim, o foco minhas criações volta-se bem mais para o público adulto, com um espetáculo que define a minha poética em termos de construção cênica. Entrar no grupo O Poste veio num momento importante: foi como se eu encontrasse a minha tribo. Eu vinha de dois grupos muito novos e com realidades diferentes da minha. Foi muito boa a vivência com eles, mas ter entrado n’O Poste foi ancestral. Somos todos negros, temos origens idênticas e histórias que nos completam. Naturalmente, a nossa ancestralidade/africanidade influenciou a construção de nossos trabalhos.

O tema do TREMA! Festival, este ano, trata de ocupação e resistência na cidade. Como O Poste lida com isso no cotidiano da criação de um espaço próprio como resposta ao sucateamento dos teatros da cidade?

Independente de ser uma resposta a este sucateamento, tínhamos a necessidade de um espaço nosso para fazermos os treinamentos e as pesquisas. O grupo vinha discutindo esse objetivo: ter um espaço que fosse gerenciado por e para nós, o espaço O Poste. Víamos o afunilamento dos espaços públicos e dissemos “é agora ou nunca”. Possibilitar para que um grupo tenha o seu espaço é sinônimo de ter um pensamento em relação ao teatro. Continuidade e esmero com o seu trabalho.

Como vocês percebem esta pesquisa da ancestralidade em diálogo com uma contemporaneidade cada vez mais permeada pelos aparatos tecnológicos?

O próprio alemão Bertold Brecht, na década de 30, já utilizava recursos tecnológicos para sedimentar a sua poética e fornecer informações para os espectadores – usava gráficos estatísticos, letreiros, fotografias, documentos, noticiários e trechos de filmes.

O nosso teatro é mais fincado na terra, nos elementos, no lúdico e telúrico, nas percepções orgânicas e espirituais. Buscamos mais o sentido da antropologia teatral, do comportamento humano artístico e social com referências na religião de matriz africana, teatro físico e num pesado trabalho do ator com preocupações com a voz e o corpo. Percebo, por vezes, que o teatro desenvolvido por esse nosso segmento teatral parece um pouco estranho e grotesco num primeiro olhar… Como se não fôssemos desse planeta. Quando comparo com o pós-dramático e a freqüente utilização de recursos tecnológicos, às vezes, me pergunto se o que fazemos comunica com o público, diante de tantos pós- dramatismos.

Hoje, a resposta que tenho é que o teatro que desenvolvemos está dentro da contemporaneidade, mesmo sem o uso de aparatos tecnológicos.  O que acontece e que a contemporaneidade é o fazer nesse exato momento, mesmo que, às vezes, você utilize, na encenação, elementos já consagrados de séculos passados ou elementos da atualidade. E para a plateia isso é muito bom, pois aumenta a soma e multiplica as opções da fruição artística.

Sobre “A Receita” e as aproximações entre o feminino e a violência, como estas questões viraram um tema para vocês?

A partir do cotidiano e das memórias da minha infância, pois, quando criança, tinha uma vizinha que apanhava à noite do marido e, na manhã seguinte, andava nas ruas como se nada tivesse acontecido. Éramos orientados a não nos envolver na briga dos vizinhos, mas ficava bastante impactado quando via a minha vizinha pela manhã indo realizar suas compras de óculos escuros, após uma noite violenta. E A Receita foi um espetáculo construído ancorado nesse sentimento de impotência e no visível abandono vivenciado pelas mulheres em situação de violência, mulheres localizadas em várias partes do globo.

O Poste, além da pesquisa e produção de grupo, enfatiza também a formação através de cursos e workshops. Como os processos formativos retroalimentam na pesquisa de vocês?

De forma muito positiva, pois trabalhamos na formação desde o nosso processo inicial de profissionalização e agora, como grupo, essas práticas só reforçam a possibilidade de um maior número de pessoas sentirem a vivência da nossa poética e da nossa estética com a possibilidade de contribuirmos com a formação dos atores da cidade do Recife.

Conheça a programação do TREMA! e outros grupos e espetáculos do festival acessando AQUI.

TagsEntrevistaEspaço O PosteFestivalO PosteTeatroTREMA!
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Nos últimos anos, o mundo passou por transformaç Nos últimos anos, o mundo passou por transformações sociais, políticas e tecnológicas que questionam nossas relações com o espaço e a cultura. As tensões globais, intensificadas por guerras e conflitos, afetam a economia, a segurança alimentar e o deslocamento de pessoas. 

Nesse contexto, as fronteiras entre o físico e o virtual se diluem, e as Artes da Cena refletem sobre identidade, territorialidade e convívio, questionando como esses conceitos influenciam seus processos criativos. 

Com a ascensão da extrema direita, a influência religiosa e as mudanças climáticas, surgem novas questões sobre sustentabilidade e convivência.

Diante deste cenário, o dossiê #20 Território em Trânsito traz ensaios, podcasts e videocast que refletem sobre como artistas, coletivos e os públicos de Artes da Cena vêm buscando caminhos de diálogo e interação com esses conflitos.

A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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