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Entrevista – Bando de Palhaços | Riso que Desarma

Por 4 Parede
30 de junho de 2026
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Imagem – Roberto Carneiro

O Bando de Palhaços chega a 2026 celebrando um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Fundado em 2010, no Rio de Janeiro, o coletivo acaba de conquistar o Prêmio APTR de Melhor Espetáculo com Como nos Livros, montagem dirigida por André Paes Leme e escrita por Cecilia Ripoll, tornando-se apenas o segundo grupo ligado à pesquisa da palhaçaria a receber a principal premiação do teatro carioca em vinte anos. O reconhecimento reafirma um percurso de mais de quinze anos dedicado à criação coletiva, ao humor e à investigação das múltiplas possibilidades da linguagem do palhaço no teatro contemporâneo.

Na entrevista ao Quarta Parede, o Bando reflete sobre o processo de criação de Como nos Livros, espetáculo que transforma traças habitantes de uma biblioteca em observadoras da condição humana para discutir temas como destruição, convivência, sobrevivência e as contradições do mundo contemporâneo. 

O Bando de Palhaços é um coletivo teatral sediado no Rio de Janeiro que desenvolve uma pesquisa continuada em palhaçaria, teatro e criação coletiva. Formado por Tiago Quites, Ana Carolina Sauwen, Camila Nhary, Mariana Fausto, Pablo Aguilar, Filipe Codeço e Matheus Lima, o grupo construiu uma trajetória marcada por espetáculos como Adeus, Ternura, Jogo!, Rio do Samba ao Funk, Na Borda do Mundo, Sobre Narizes e Jalecos e Como nos Livros, além de oficinas, projetos em hospitais, escolas e outros espaços de formação artística, consolidando-se como uma das principais referências da palhaçaria brasileira contemporânea.

O Bando de Palhaços acaba de conquistar o Prêmio APTR de Melhor Espetáculo por Como nos Livros. O que esse reconhecimento representa para um grupo que vem desenvolvendo uma pesquisa contínua há mais de 15 anos?

Esse reconhecimento é de suma importância para a gente. Ele representa a valorização de uma história construída com muito trabalho, muita risada e muito suor também. É muito difícil manter um grupo artístico ativo no Brasil. As possibilidades de sustentação de um coletivo são escassas, então existe um esforço contínuo para abrir espaço para esse trabalho em meio a todas as demandas de sobrevivência que os artistas enfrentam.

Ao mesmo tempo, estar em grupo proporciona algo muito precioso: uma troca, uma escuta e um reconhecimento mútuo que dificilmente existem quando você se reúne apenas para fazer um espetáculo específico. O que sempre nos manteve unidos foi o amor pela palhaçaria e a certeza de que, mesmo quando alguns integrantes precisam se afastar por um período e depois retornar, existe um vínculo muito forte que permanece.

O prêmio chegou num momento muito especial. Ele nos deu fôlego, entusiasmo e também uma sensação de confirmação de um caminho que, muitas vezes, é atravessado por dúvidas e incertezas. Esse reconhecimento renovou nossa vontade de continuar, de recolocar o espetáculo em cartaz no Rio, buscar temporadas em São Paulo e imaginar novos projetos. Foi um prêmio que trouxe não apenas alegria, mas também impulso para seguir em frente.

Espetáculo ‘Adeus, Ternura!’ | Imagem – Victor Pollak

Como nos Livros parte de uma premissa bastante inusitada: traças que habitam livros e discutem a condição humana. Como surgiu o interesse por essa metáfora e o que ela permite revelar sobre o nosso tempo?

O projeto original de Como nos Livros já partia do desejo de falar sobre a humanidade através dos bichos. A gente sempre acreditou que a palhaçaria permite esse tipo de deslocamento mais ousado, esse olhar que sai do lugar comum para observar o ser humano por outros ângulos.

Inicialmente, nosso interesse era falar até da cidade do Rio de Janeiro e das relações humanas a partir do universo animal. A ideia específica das traças veio da nossa dramaturga, Cecilia Ripoll, que tem uma relação muito forte com a palavra e com a literatura. Ela propôs essas criaturas que habitam os livros e, de certa forma, vivem cercadas pela palavra.

Quando essa ideia surgiu, a gente achou sensacional. As traças são bichinhos pequenos que comem, desgastam e transformam aquilo que encontram pelo caminho. E existe algo muito forte nessa imagem quando pensamos no mundo em que vivemos hoje. Estamos atravessando um momento em que a humanidade parece devorar a si mesma, seus recursos, suas relações e até as condições de sua própria sobrevivência.

O que nos interessava era justamente olhar para essas contradições sem fazer um discurso moralizante. Através do humor, do jogo e do olhar dessas pequenas criaturas, conseguimos abordar temas complexos e profundamente humanos, convidando o público a rir, mas também a refletir sobre o tempo em que vivemos.

O espetáculo foi escrito por Cecilia Ripoll a partir de um processo de criação coletiva. Como se deu o diálogo entre a dramaturga e os integrantes do grupo durante a construção dos personagens e da narrativa?

Acho que essa resposta já começa a aparecer um pouco na pergunta anterior, mas aprofundando: o texto foi escrito pela Cecilia fora da sala de ensaio, porém em diálogo muito próximo com o grupo durante todo o processo.

Ela mesma conta que, enquanto escrevia, já ouvia as vozes dos atores que fariam aqueles personagens. Acho que houve uma sensibilidade muito grande da parte dela para perceber camadas, possibilidades de jogo e características de atuação de cada integrante do Bando que poderiam ser aproveitadas na construção dessas figuras.

Não significa necessariamente que os personagens tenham relação direta com as personalidades dos atores. É algo mais complexo do que isso. A Cecilia identificou qualidades de presença, ritmos, modos de jogar e potencialidades cômicas que poderiam servir a cada personagem, e foi compondo a dramaturgia a partir dessas percepções.

Ao mesmo tempo, o texto não chegou pronto e acabado. Ele foi sendo construído ao longo do processo, indo e voltando entre a escrita e a sala de ensaio. A gente contribuía com ideias, experimentações, caminhos possíveis, e a dramaturgia se transformava a partir desses encontros.

O resultado é um texto que carrega muito fortemente a autoria da Cecilia — que tem uma escrita marcada por reflexões profundas sobre a condição humana — mas que também foi alimentado pelo humor, pelo jogo e pela linguagem da palhaçaria que fazem parte da trajetória do Bando de Palhaços.

Espetáculo ‘Rio do Samba ao Funk’ | Imagem – Renato Mangolin

O humor sempre esteve presente no trabalho do Bando, mas em Como nos Livros ele convive com temas como destruição, sobrevivência, convivência e contradição humana. Como vocês equilibram comicidade e reflexão em cena?

A gente acredita que a convivência entre humor e reflexão é sempre muito rica, porque o humor abre caminhos. Ele abre para o pensamento, para o afeto e para a escuta. Existe algo no riso que desarma as pessoas e cria uma disponibilidade para olhar para questões mais complexas.

Por isso, usar o humor como ferramenta de reflexão é um caminho que nos interessa há muito tempo e que o Bando vem investigando em diferentes trabalhos. No caso de Como nos Livros, o texto da Cecilia já trazia uma carga reflexiva muito forte. Ao longo do processo, fomos entendendo como jogar com esse material, como ampliar as camadas de humor, de comicidade e de relação com o público sem perder a profundidade das questões que o espetáculo levanta.

E esse é um processo que continua acontecendo. A gente acredita que o espetáculo está sempre em transformação. O teatro é vivo e cada temporada, cada espaço e cada momento que atravessamos nos fazem descobrir novos jogos, novas possibilidades de comicidade e novas formas de contar essa história.

O mais interessante é que, para nós, uma coisa não diminui a outra. O humor não enfraquece a reflexão. Pelo contrário: muitas vezes ele é justamente o caminho que permite que essa reflexão chegue mais fundo.

Além dos espetáculos, vocês também realizam ações formativas (como cursos e imersões em palhaçaria), projetos sociais (como projetos em hospitais, escolas, empresas etc.) e criaram até um podcast de contação de histórias (o Bando de Histórias). Como a incursão nesses outros espaços e suportes alimentam os processos de criação de vocês de maneira geral e também colaboram para a sustentabilidade do grupo como um todo?

Existe, de fato, uma questão de sobrevivência que, muitas vezes, nos leva a buscar outros espaços de atuação e outros caminhos para sustentar o trabalho do grupo. Mas, hoje, entre todas essas frentes, existe uma que ocupa um lugar muito especial para nós: a formação.

O Bando realiza oficinas continuadas de palhaçaria e também cursos mais curtos, e esses espaços se tornaram fundamentais para o nosso amadurecimento artístico. É ali que aprofundamos nossa pesquisa, afinamos nosso olhar comum sobre a palhaçaria e seguimos investigando juntos uma linguagem que pode ser entendida e praticada de muitas formas diferentes.

As oficinas são sempre conduzidas por integrantes do grupo, que vão se revezando e trabalhando em conjunto. Isso faz com que elas também sejam um espaço de troca entre nós. Ao ensinar, somos constantemente levados a refletir sobre nossa prática, organizar pensamentos e revisitar questões que atravessam nosso trabalho.

Além disso, acompanhar o processo de outros artistas é algo muito enriquecedor. Observar, dirigir, provocar e testemunhar a criação de outras pessoas também nos transforma como artistas e alimenta diretamente a nossa atuação.

E existe ainda uma dimensão muito importante: a gente acredita que a palhaçaria é uma linguagem múltipla. Ela pode estar no palco, mas também pode estar num hospital, numa escola, num podcast, numa empresa ou em tantos outros espaços de encontro.

O próprio Bando começou sua trajetória dentro de hospitais, então sabemos, pela experiência, que o palhaço tem uma enorme capacidade de se adaptar e transformar os contextos que ocupa. Por isso, acreditamos que não estar apenas no palco amplia a nossa experiência e nos faz muito melhores no palco. Quanto mais variados são os territórios que atravessamos, mais rica se torna também a nossa criação em cena.

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Nos últimos anos, o mundo passou por transformaç Nos últimos anos, o mundo passou por transformações sociais, políticas e tecnológicas que questionam nossas relações com o espaço e a cultura. As tensões globais, intensificadas por guerras e conflitos, afetam a economia, a segurança alimentar e o deslocamento de pessoas. 

Nesse contexto, as fronteiras entre o físico e o virtual se diluem, e as Artes da Cena refletem sobre identidade, territorialidade e convívio, questionando como esses conceitos influenciam seus processos criativos. 

Com a ascensão da extrema direita, a influência religiosa e as mudanças climáticas, surgem novas questões sobre sustentabilidade e convivência.

Diante deste cenário, o dossiê #20 Território em Trânsito traz ensaios, podcasts e videocast que refletem sobre como artistas, coletivos e os públicos de Artes da Cena vêm buscando caminhos de diálogo e interação com esses conflitos.

A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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