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Entrevista – A estrada é o picadeiro | Cia. Circo Godot de Teatro

Por 4 Parede
8 de setembro de 2026
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Imagem – Walton Ribeiro

A Cia. Circo Godot de Teatro atravessa Pernambuco com o projeto Circo Godot – do Cais ao Sertão, circulação que leva a dez municípios um espetáculo construído no encontro entre teatro físico, palhaçaria bufônica e habilidades circenses. Em cena, Asaías Rodrigues e Charles De Lima interpretam Gatropo e Tropino, dois vagabundos que percorrem o mundo oferecendo suas patacoadas. Inspirada livremente em Pozzo e Lucky, de Esperando Godot, de Samuel Beckett, a dupla estabelece uma relação atravessada por poder, dependência e conflito, transformando a disputa entre opressor e oprimido em matéria para o humor e o jogo circense.

Na entrevista realizada por Márcio Andrade, a companhia reflete sobre os 16 anos de trajetória do Circo Godot, desde sua criação para apresentações a públicos de diferentes países até a atual circulação por Pernambuco. A conversa aborda o uso do gromelô como língua inventada, a construção dos personagens a partir de um processo de tentativas e erros e, sobretudo, a maneira como a itinerância transforma a própria cena: palcos, praças e outros espaços exigem dos artistas uma escuta permanente dos ritmos, silêncios, referências e particularidades de cada comunidade.

Criada no Recife em 2010 por Asaías Rodrigues, Quiercles Santana, Andrezza Alves e pelo circense italiano Damiano Massaccesi, a Cia. Circo Godot desenvolve uma pesquisa que articula teatro físico, circo e formas animadas. Além dos espetáculos, o grupo realiza ações formativas como a oficina Por Nada se Espera, entendendo a troca com artistas e comunidades como parte de sua própria investigação. Ao percorrer o Litoral, a Zona da Mata, o Agreste e o Sertão, a companhia reafirma o nomadismo não apenas como deslocamento, mas como princípio de criação.

A Cia. Circo Godot completa 16 anos de trajetória desenvolvendo uma pesquisa que aproxima teatro físico, habilidades circenses e formas animadas. Como surgiu a companhia e de que maneira essas diferentes linguagens foram se encontrando e constituindo uma identidade artística ao longo dos anos?

A Cia. Circo Godot nasceu em 2010 do desejo de dois artistas (o italiano Damiano Massachesi e o brasileiro Asaías Rodrigues; o primeiro ligado ao circo e o segundo, ao teatro), que juntos com Andrezza Alves e Quiercles Santana se viram com a incumbência de criar um espetáculo que unisse as habilidades dos dois artistas numa só narrativa, que tinha de ser ao mesmo tempo de curta duração, divertida e que a língua não fosse um empecilho à sua compreensão.

Isso porque o espetáculo deveria atender às demandas de uma grande empresa europeia de turismo, com clientes dos mais variados países e línguas: na mesma plateia estariam angolanos, turcos, coreanos, franceses, ingleses, argentinos, etc. Ou seja, foi daí que veio a ideia/necessidade de trabalhar com o gromelô, uma língua inventada, que pode ser muito bem “compreendida” por causa das ações dos artistas no palco, do contexto/situação e da entonação nas falas.

Tínhamos de atender, portanto, turistas em hotéis, navios e resorts. O espetáculo estreou na ilha de Creta e fez, logo de largada, Grécia continental, Itália, Tunísia e Argélia. Depois veio para o Brasil e fez algumas cidades do Nordeste e Sudeste, participou de festivais e ficou um tempo guardado na gaveta.

Na busca por criar um ambiente farsesco, com tempos e ações bem marcadas, o circo e o teatro, neste sentido, serviu de matéria prima para o desenvolvimento do roteiro. Aproveitamos ao máximo a palhaçaria bufônica, a gague circense, o palhaço sujo que não tem cara de palhaço, que veste roupas puídas, o palhaço estradeiro, estrangeiro, outsider, marginal.

A graça deveria nascer da conjunção do teatro e do circo, da cumplicidade dos atores, mas também do atrito das personagens, que desejam a todo custo o poder sem limites, que acaba se transformando no eixo principal da narrativa. É poético, engraçado e político, porque é sobre opressor e oprimido e o sonho deste em tomar o lugar daquele.

Imagem – Walton Ribeiro

Circo Godot acompanha Gatropo e Tropino, dois bufões que vagam pelo mundo à procura de pessoas dispostas a assistir às suas patacoadas. Como surgiram esses personagens e de que maneira a relação entre eles (marcada por hierarquia, conflito, dependência e comicidade) orientou a construção dramatúrgica e circense do espetáculo?

Por um acaso, naquele período (2010), fazia pouco tempo que o diretor tinha lido “Esperando Godot”, de Samuel Beckett. As personagens do autor irlandês estavam ainda fresquinhas na sua memória. Então, daí veio a ideia de, inspirados em Pozzo e Luck, personagens do texto de Beckett, inventar um opressor e um oprimido absurdos.

O trabalho passou a se desenvolver, então, pautado no work in process (trabalho em processo): tentativas e erros sobre o tema; fazer algo e depois voltar umas casas e fazer esse algo de outro jeito; achar no espaço vazio, os contornos das possibilidades dos sons, das palavras initeligíveis, das fisicalizações das ações cênicas na sala de ensaios. E se divertir ao máximo com isso: com as repetições, com a incomunicabilidade, com os erros, acasos, soluções e falta de sentido, até que um sentido pudesse emergir dali. Montamos em 30 dias. Isso em 2010.

Em 2019, quando retomamos, não estávamos mais com Damiano. Veio Charles de Lima, um artista incrível, que logicamente alterou de forma substancial muito do que tínhamos na montagem original. Ele e Asaías têm outra química, com mais pólvora, com risco iminente de “virada de mesa”, o que deu um caldo mais “ameaçador” à trama. 

O projeto Circo Godot – do Cais ao Sertão percorre dez municípios de diferentes regiões de Pernambuco. Como o caráter itinerante e o encontro com públicos e territórios tão diversos interferem no espetáculo? O que se transforma na cena quando ela passa a ser atravessada pelas particularidades de cada lugar?

A nosso ver, a mudança constante de território tensiona a dinâmica da cena, o trabalho dos atores e a própria recepção da plateia.

Primeiro que o ajuste a palcos, praças, galpões ou anfiteatros com dimensões e acústicas distintas força uma constante recalibragem da projeção vocal, da ocupação da cena e da intensidade gestual.

A mudança de público altera os pontos de tensão, o tempo do riso, as zonas de silêncio e as referências culturais compartilhadas. Um trabalho artístico em itinerância desenvolve uma escuta amplificada para ler o ambiente e adaptar o ritmo da cena sem perder a espinha dorsal do espetáculo.

Em espaços não convencionais ou urbanos, o imprevisível — ruídos da cidade, luz natural, interferências do entorno — passa a integrar a cena. A obra abandona a ilusão do controle absoluto para incorporar a realidade do território e isso é um desafio constante em obras como Circo Godot.

Teatro é uma arte relacional, então, uma coisa que nos parece inerente à sua natureza é que um território novo ressignifica o discurso da obra, criando novas relações com a plateia, com o público do lugar e a cena deixa de ser a repetição de uma forma para se tornar um acontecimento moldado pela presença de cada novo lugar. Uma imagem, uma ação ganha camadas simbólicas inteiramente novas ao dialogar com a memória, as urgências e o contexto social do público local.

Imagem – Walton Ribeiro

Além das apresentações, a circulação inclui debates e a oficina Por Nada se Espera, na qual vocês compartilham a pesquisa da companhia em teatro físico, técnicas circenses e formas animadas. Que lugar a formação e a troca com outros artistas e comunidades ocupam na trajetória do Circo Godot e como essas experiências também retornam para os processos criativos do grupo?

As oficinas e vivências de circo-teatro — especialmente em circulações pelo interior e áreas periféricas — funcionam como espaços de democratização da linguagem. A formação não se limita ao ensino da técnica (acrobacia, malabares, comicidade), mas propõe a descoberta do corpo expressivo e do jogo coletivo, levando em conta o quanto o outro é peça essencial para o nosso crescimento enquanto indivíduos.

Assim, a prática constante do ensino retroalimenta a pesquisa de linguagem dos atuantes. Ao transmitir princípios de presença, vulnerabilidade e rigor físico, os próprios artistas renegociam seus métodos de criação, incorporando a vivacidade do improviso e a simplicidade técnica às montagens do repertório.

O circo possui historicamente uma forte relação com o nomadismo, e vocês afirmam que “cada praça ou palco ganha contornos únicos” a partir do encontro com cada comunidade. Depois de 16 anos de trajetória, o que significa para a companhia realizar uma circulação que atravessa Pernambuco do Litoral ao Sertão e que novos caminhos vocês imaginam para a pesquisa do Circo Godot a partir dessa experiência?

Circular por Pernambuco reafirma o nomadismo não apenas como itinerância física, mas como um princípio dramatúrgico e ético. O encontro com diferentes comunidades opera como um vetor de renovação: a lona, a praça ou o palco funcionam como memórias porosas que absorvem as dinâmicas, os risos, os tempos e os silêncios locais.

Atravessar o sertão, o agreste e a zona da mata permite friccionar a linguagem circense com as paisagens e identidades culturais do próprio território. Dessa forma, a estrada se confirma como o verdadeiro ateliê do Circo Godot: um espaço onde a experiência acumulada em mais de uma década não se engessa, mas se dissolve e se reconstrói no olhar do espectador de cada nova cidade.

Para o futuro, pensamos em montar uma segunda versão do espetáculo, a que chamaremos “Circo Godot – Segunda Jornada”. Mas isso mais para o futuro, sem data definida ainda, apenas sonho… Por enquanto.

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Nos últimos anos, o mundo passou por transformaç Nos últimos anos, o mundo passou por transformações sociais, políticas e tecnológicas que questionam nossas relações com o espaço e a cultura. As tensões globais, intensificadas por guerras e conflitos, afetam a economia, a segurança alimentar e o deslocamento de pessoas. 

Nesse contexto, as fronteiras entre o físico e o virtual se diluem, e as Artes da Cena refletem sobre identidade, territorialidade e convívio, questionando como esses conceitos influenciam seus processos criativos. 

Com a ascensão da extrema direita, a influência religiosa e as mudanças climáticas, surgem novas questões sobre sustentabilidade e convivência.

Diante deste cenário, o dossiê #20 Território em Trânsito traz ensaios, podcasts e videocast que refletem sobre como artistas, coletivos e os públicos de Artes da Cena vêm buscando caminhos de diálogo e interação com esses conflitos.

A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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