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Entrevista – Compassos Cia de Dança | Escapa ao esperado

Por 4 Parede
12 de outubro de 2026
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Imagem – Morgana Narjara

A Compassos Cia. de Dança percorre Recife e Olinda com Passo, espetáculo que aproxima cavalo-marinho, maracatu rural e capoeira do teatro, da dança contemporânea, da performance e do teatro de bonecos. Com roteiro e direção de Raimundo Branco, seis artistas criadores conduzem um brinquedo cênico que convida o público a dançar, conversar e participar, atravessando as fronteiras entre palco e plateia. Inspirada em Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, a obra transforma histórias e deslocamentos dos artistas em matéria corporal e poética, incorporando também a Libras como linguagem de criação.

Na entrevista realizada por Márcio Andrade, Raimundo Branco reflete sobre seus 36 anos de atividades e sobre um espetáculo que se renova no encontro entre diferentes corpos, tempos e saberes. A conversa aborda a escuta de mestres e brincantes, a potência do erro e do não saber nos processos de criação e a pesquisa que transforma sinais de Libras em possibilidades de dança. Os artistas também compartilham experiências em que a participação do público modificou a estrutura da obra: repentes, poemas e coreografias trazidos pelas pessoas de cada lugar passam a integrar a apresentação, fazendo da circulação uma oportunidade de recriar a cena.

Marcada pelo diálogo entre práticas populares, investigação corporal e diferentes linguagens artísticas, a trajetória da Compassos encontra nesta temporada um retorno a espaços que contribuíram para sua formação. De 16 de outubro a 6 de novembro, a programação gratuita reúne apresentações, bate-papos e a oficina O Passo do Brincante no Centro Lua de São Jorge, na Escola de Danças Populares Família Pernambuco, no CAC-UFPE e no COMPAZ Leda Alves. Ao revisitar esses parceiros e acolher as experiências das comunidades, o grupo mantém Passo em movimento, alimentando sua pesquisa com os encontros e aprendizados de cada território.

A Compassos completa 36 anos de atividades em 2026, e ‘Passo’ revisita uma caminhada marcada pelo encontro entre diferentes linguagens artísticas. Ao olhar para essa trajetória, quais inquietações permanecem na pesquisa da companhia e o que este espetáculo transforma ou inaugura na maneira de vocês criar?

PASSO, além de revisitar sua trajetória, é uma obra em constante movimento, que se transforma e se revisita por meio da renovação do elenco e da continuidade das pesquisas desenvolvidas na Cia. Quando isso acontece, os corpos que chegam, com suas formas, histórias e experiências, contribuem para que o espetáculo se renove, se remodele e encontre novos caminhos. Tal como acontece em muitos brinquedos e folguedos populares, que bebem de novos conhecimentos, se alimentam das experiências e das transformações que atravessam a vida, sem, contudo, perder sua identidade.

Acreditamos que a base da renovação e a possibilidade de novas maneiras de reinvenção estão justamente na visita aos antigos, àqueles que vieram antes de nós e que, por meio dos corpos novos, alcançam os de hoje! São esses encontros entre tempos, corpos e saberes que mantêm vivo e transformam o PASSO, sem deixar de ser o que ele É.

Como parte desse processo de continuidade e pesquisa, Raimundo vem desenvolvendo estudos para a criação de um projeto solo, previsto para 2027. A pesquisa tem como referências e campos de investigação a capoeira de angola, o contato e improvisação, o Cavalo Marinho, o tango, a dança-teatro — com aproximações às obras de Pina Bausch e Kurt Jooss.

Esse projeto nasce justamente da continuidade das pesquisas desenvolvidas no processo de criação de PASSO-Compassos, desdobrando questões como migração e, experimentações que seguem em movimento e encontram, agora, outros caminhos de investigação.

Imagem – Guilherme Silva

Em ‘Passo’, artistas com diferentes formações aproximam saberes do cavalo-marinho, do maracatu rural e da capoeira do teatro, da dança contemporânea e da performance. Como essas experiências se encontram no processo de criação coletiva e de que maneira as práticas populares orientam a construção dos movimentos, das relações e do jogo cênico?

Através do ver e ouvir os artistas e mestres que nos visitam, ou que visitamos em seus lugares de morada e brincadeira. Através da repetição e da revisitação histórica, teórico-prática e imagética. E, sobretudo, através da abertura de espaço para aqueles que acham que não sabem dançar a dança do PASSO e que, justamente por meio de seu não saber, nos ensinam outras maneiras de dançar, perceber e construir a cena. Porque o PASSO é um lugar para os que “sabem dançar”, mas também para aqueles que acham que “não sabem dançar”.

Na Compassos, os artistas intérpretes criadores são convidados a transformar aquilo que é considerado erro, ou mesmo o não saber, em algo importante e fundamental nos processos de construção e criação cênico-coreográfico-interpretativa. O que parece não caber, o que escapa ao esperado ou momento poético que surge fora do lugar ou da forma conhecida, abrindo espaço para outras descobertas, outros movimentos e possibilidades de criação.

Não saber é também saber.
Errar é também acertar.

Durante os processos de montagem e temporada de algumas obras, e no percurso do projeto “A DANÇA DO COTIDIANO – as voltas que o mundo dá” os artistas e alunos interessados participaram de aulas de capoeira, canto e música no Centro de Capoeira Herança de Angola, do Mestre Caica, em Cidade Tabajara, Olinda-PE, e na Compassos com o professor e bailarino Fábio Cabide.

Essas experiências foram muito importantes para os diferentes processos que estávamos construindo. O encontro com a capoeira, seus fundamentos, cantos, ritmos e modos de transmissão ampliou as possibilidades de pesquisa e criação, alimentando as relações entre corpo, memória, escuta e movimento revelou-se fundamental para a continuidade das investigações da Compassos.

‘Morte e Vida Severina’, de João Cabral de Melo Neto, atravessa o espetáculo tanto nas autodescrições dos artistas quanto na ideia de uma obra migrante, que percorre caminhos em busca do público. Como essa referência literária se transforma em ação corporal e que sentidos ganha ao circular por diferentes territórios de Recife e Olinda?

Morte e Vida… ganha força e ecoa no corpo e na voz dos artistas, porque são pessoas que vêm de diferentes lugares e experiências. Pessoas/artistas que têm no Severino de João Cabral um lugar de representatividade, ao bradar que somos todos Severinos, mas também somos Fernandos, Marias, Sandras, Patrícias, Anas, que vêm de terras as mais diversas. Não só da Serra da Costela, mas da Bahia, de São Paulo, de Olinda, da Várzea.

Corpos que, a partir dos processos de investigação e experimentação, se imaginam transformados em panelas — os redemoinhos do rio São Francisco, que sugam os desavisados —, rodopiando e percorrendo o espaço destinado à apresentação, como rios e corredeiras.

As ruas e avenidas que ligam os espaços visitados são consideradas rios e afluentes, e os corpos, águas que desaguam, banhando os espaços visitados, como se cidades fossem.

É aquele Severino que sai da Serra da Costela, percorre estradas e rodovias até chegar ao Recife, onde vive e revive sua trajetória.

No nosso caso, é o PASSO que chega para se apresentar.

Imagem – Guilherme Silva

A LIBRAS integra a apresentação por meio dos artistas e do tradutor-intérprete e performer, sendo reconhecida como prática artística viva. Como vocês construíram essa relação entre língua de sinais, dança e dramaturgia, e de que maneira ela modifica os movimentos, os tempos da cena e o encontro com públicos surdos e ouvintes?

Tempo das cenas e movimentos

A linguagem das libras é para nós, não só uma forma de comunicação com o público surdo ou de baixa audição, como também vem se configurando como uma pesquisa em linguagem em dança para todo e qualquer público. Como um sinal em libras, pode ser tornar passo de dança? Isso nos interessa e ter um intérprete de libras também como performer, nos auxilia nesta procura.

O encontro da Libras com as danças populares e contemporânea, o teatro, a poesia e a pantomima, representado pelos artistas do PASSO, é super e ultra bem recebido pelo público surdo e ouvinte, sem distinção. E esse prazer e essa satisfação nos movem a fazer mais. Muito mais e continuar estudando novas linguagens para o espetáculo!

 A temporada reúne apresentações, bate-papos e a oficina ‘O Passo do Brincante’ em espaços ligados à formação cultural e às práticas populares. Como vocês pensam essa circulação como uma troca com as comunidades e de que maneira os saberes e a participação das pessoas de cada território podem transformar o próprio espetáculo?

Na realidade, o que estamos fazendo é voltar aos lugares que contribuíram para a nossa formação de vida e para a nossa trajetória como eternos artistas-pesquisadores, em constante aprendizado.

Os espaços propostos para essa circulação são uma pequena amostra da trajetória que o PASSO/Compassos já realizou ao longo de sua caminhada, visitando os lugares mais distintos e distantes, muitas vezes considerados sem condições para uma apresentação de dança e teatro.

  • Uma viela de terra batida cheia de desníveis, onde fica a sede do Boi Pintado, na periferia de Caruaru;
  • O No Meu Terreiro Tem Arte, de Odília Nunes, no Sítio do Minadouro, distrito da Ingazeira, onde o público participante se envolveu ativamente, cantando repentes, recitando suas próprias poesias e criando coreografias que não estavam na obra, modificando completamente a estrutura do espetáculo naquele momento;
  • O espaço SÃO Gens de Teatro, com a participação de 100% da plateia, transformando o espetáculo em um misto de oficina e aula-espetáculo;
  • O Parque 13 de Maio, onde ensaiamos e está sendo criada uma parceria espontânea entre o espaço, os visitantes e os funcionários, que estão sempre participando do projeto PASSO, contribuindo com o som quando o nosso descarrega, disponibilizando carregadores de celular, buscando informações e procurando, de alguma forma, participar ou contribuir com os ensaios. Inclusive, surgiu um convite para que o espetáculo se apresente em um projeto que acontece uma vez por mês nas imediações do parque.

 

Vê só!

No caso da circulação atual:

São três Pontos de Cultura e um centro de formação educacional.

Dois centros de capoeira administrados por mestres que, de alguma forma, passaram pela formação na capoeiragem com Raimundo Branco, na década de 1980, e que hoje desenvolvem um trabalho maravilhoso de formação e conscientização político-cultural por meio da capoeira, da música e da dança — coco, maracatu e capoeira.

São eles: o Centro de Capoeira Lua de São Jorge, em Cidade Tabajara, com os mestres Ulisses e Juarez, e sua extensão no COMPAZ Led Alves, com o Mestre Lua.

Temos também a sede da Família Pernambuco, em Casa Amarela, dirigida por Pedro Pernambuco e seu marido, Gera Jorge, que trabalham na formação em danças populares.

E, por fim, o CAC-UFPE, espaço voltado para alunos e professores de dança (e que foi local de estudo para alguns de nossos performers), assim como para todos aqueles que estiverem por lá circulando.

Naturalmente, desses encontros surgirão muitos aprendizados que certamente contribuirão para o processo contínuo do PASSO.

 

 

 

 

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A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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