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Entrevista – Gheuza | Romper o Ciclo

Por 4 Parede
28 de setembro de 2026
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Imagem – Divulgação

Em Aparecida, a atriz Gheuza leva à cena um solo construído a partir de uma pesquisa realizada com o diretor e dramaturgo Eric Valença em prontuários da Delegacia da Mulher e de unidades de acolhimento. 

A partir de relatos de mulheres que sobreviveram à violência, o espetáculo aborda os ciclos de abuso e o feminicídio pelo olhar de uma investigadora policial que, ao acompanhar diferentes casos, também revela as violências que atravessam sua própria experiência como mulher negra em um ambiente profissional predominantemente masculino. Com dramaturgia assinada por Gheuza e Eric Valença e direção de Valença, Aparecida realiza curta temporada na Fabulosa Arte Colab, em Piedade, nos dias 1º e 2 de outubro.

Na entrevista a Márcio Andrade, Gheuza reflete sobre os cuidados éticos envolvidos na transformação de experiências reais em dramaturgia, a construção polifônica de uma personagem atravessada por diferentes vozes e o diálogo entre suas próprias vivências e aquelas encontradas durante a pesquisa. 

Aparecida nasceu de uma pesquisa realizada por você e Eric Valença em prontuários da Delegacia da Mulher e de unidades de acolhimento, reunindo relatos de mulheres que sobreviveram à violência. Como foi entrar em contato com esse material e quais cuidados éticos e artísticos orientaram a transformação dessas experiências reais em dramaturgia?

Nenhum nome real é utilizado. Nenhuma entrevista foi gravada e nem sequer anotamos nada durante as “entrevistas “. Tudo foi apenas tratado como bate papo de maneira tranquila deixando cada uma revelar-se na sua medida. Optamos pela narração de maneira desconexa e sem direcionamento de um fato específico.

A protagonista é uma investigadora policial que acompanha casos de violência contra a mulher, mas que também é atravessada pelas estruturas e experiências que investiga. Por que escolher essa personagem como fio condutor do espetáculo e o que esse ponto de vista permitiu revelar sobre os ciclos de abuso e o feminicídio?

Essa personagem é a porta-voz de muitas mulheres que ela ajudou ou se relacionou de alguma forma. É o relato de quem viveu outros tipos de violência não só por ser uma mulher negra, como também, trabalhar num lugar eminentemente masculino. Por estar neste ângulo diferenciado se torna uma personagem mais rica em possibilidades de vivenciar diversos lados e situações sobre o mesmo tema.

Você define Aparecida como uma dramaturgia polifônica, na qual a voz da personagem se mistura às vozes das mulheres presentes nos relatos e à sua própria voz como mulher negra. Como essas diferentes camadas foram construídas na escrita e na atuação? Nesse processo, suas experiências pessoais também atravessam a personagem sem apagar as histórias que deram origem ao espetáculo? 

Certamente! Uma atriz nunca constrói uma personagem sem utilizar suas próprias vivências, isso é o que traz veracidade e humanidade para a personagem. Nesta obra a minha fala vem carregada não só das minhas vivências como a ampliação de tudo aquilo que escutei e vi ao longo das minhas pesquisas. Vale salientar que é uma obra em constante mutação pessoal e social, uma performance permite também essas atualizações.

Aparecida aborda um tema atravessado por experiências traumáticas e violências concretas. Quais escolhas de encenação e atuação foram importantes para traduzir a força de denúncia desse material, mas sem cair no risco de repetir ou reproduzir a violência no palco?

Optamos por realizar uma contação ininterrupta muitas vezes silenciosa, permeadas apenas por imagens e pequenos sons. A personagem narra, vivencia, explica e opina sendo o elemento mais direto e constante da encenação. Sem muita poesia ou elementos que hipnotizam. Funciona como um soco no estômago ou uma tapa na cara que dói no momento, mas te ajuda a refletir e agir algum tempo depois.

A temporada também inclui apresentações para estudantes, bate-papos com o público e oficinas de teatro para mulheres, ampliando o projeto para além da apresentação do espetáculo. Como você visualiza essas ações de formação amplificando seu processo de criação e diversificando seus campos de atuação?

Extremamente importante. Esses encontros ajudam a reverberar o tema, criando também situações de escuta e acolhimento. Ampliando ainda mais as possibilidades de fortalecimento comunitário, ajudando até mesmo a mover estruturas do próprio ecossistema.

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Nos últimos anos, o mundo passou por transformaç Nos últimos anos, o mundo passou por transformações sociais, políticas e tecnológicas que questionam nossas relações com o espaço e a cultura. As tensões globais, intensificadas por guerras e conflitos, afetam a economia, a segurança alimentar e o deslocamento de pessoas. 

Nesse contexto, as fronteiras entre o físico e o virtual se diluem, e as Artes da Cena refletem sobre identidade, territorialidade e convívio, questionando como esses conceitos influenciam seus processos criativos. 

Com a ascensão da extrema direita, a influência religiosa e as mudanças climáticas, surgem novas questões sobre sustentabilidade e convivência.

Diante deste cenário, o dossiê #20 Território em Trânsito traz ensaios, podcasts e videocast que refletem sobre como artistas, coletivos e os públicos de Artes da Cena vêm buscando caminhos de diálogo e interação com esses conflitos.

A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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