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Editorial | Don’t Touch! It’s Art! – Sobre estética, política e a transexual crucificada (ou a arte de habitar conflitos)

Por 4 Parede
9 de junho de 2015
2324
0
COMPARTILHE ESSE CONTEÚDO

Por Márcio Andrade

Editor-Chefe

The smut we must cut,
The trash we must bash,
The laughter and fun must all be undone!
We must blame them and cause a fuss before somebody thinks of blaming uuuuuuuuuuus!

Como um site que defende, antes de mais nada, a liberdade de expressão e o poder da arte de provocar conflitos, o Quarta Parede inaugura seu editorial com um caso que vem causando uma diversidade de polêmicas nas redes sociais e fora delas: a transexual crucificada da Parada Gay. Acredito que este acontecimento, cada vez mais comum em uma sociedade que mistura cada vez mais os espaços da religião, da arte, da política etc. e investe, apesar do politicamente correto estar sempre puxando algumas rédeas, na criação de tensões e conflitos que, nem de longe, se encerrarão com a exposição de opiniões diversas na timeline – e nem devem.

Uma obra de arte, em uma de suas variadas definições, pode vir, justamente, para promover debates e questionamentos, desestabelecer as bases de crenças solidificadas e nos fazer, justamente, nos perguntar sobre seus limites. Quando assume um caráter transgressor, uma obra artística, muitas vezes, nos permite ultrapassar, de algum modo, uma construção ideológica e vislumbrar um modo de ver distinto daquele já estruturado – o que pode ser compreendido também como utopia. Ao problematizar o mundo de hoje – como se colocasse um espelho diante de nós e nos forçasse a olhar -, a arte não faz uma leitura “limpa, imparcial e verdadeira”, mas, em sua intensa subjetividade, propõe-se a tremer as bases do conhecido, do respondido, do já dado.

Confesso que, ao ver a imagem, fiquei curioso pela dupla dimensão que Viviany Bebeloni explora com sua performance: a apropriação e uma (aparente) distorção. Na primeira dimensão, percebo como ela se apropria de um símbolo religioso universal (e que não pertence exclusivamente a quem pratica a fé cristã, diga-se de passagem) que possui um discurso previamente concebido e reproduzido para, através de sua ressignificação, torná-lo “irreconhecível” para seus próprios fieis. Contudo, esta aparente transformação do símbolo máximo do cristianismo, na realidade, reforça, à sua maneira, os próprios princípios cristãos. Para aqueles que acreditam no cristianismo, o potencial expressivo da performance, certamente, poderia fechar seu ciclo quando, pelo choque, lembramo-nos que, na própria bíblia, cita-se que Jesus morre pelos “pecados” de todos – não só aqueles cometidos por brancos, heterossexuais e de classe média que formaram uma família tradicional. Contudo, quem lê os textos bíblicos hoje parece esquecer as pessoas com que o próprio Jesus andava – prostitutas, cobradores de impostos, ladrões etc. – e trata como heresia uma performance que problematiza justamente essas leituras preguiçosas e tendenciosas das escrituras.

Para quem não acredita nas narrativas bíblicas, o simbolismo de uma transexual crucificada, acompanhada de uma placa com os dizeres “Basta de Homofobia GLBT”, faz-nos ver como os discursos de ódio e a violência contra os homossexuais reproduzem, de algum modo, a injusta perseguição e condenação sofrida por Jesus Cristo, em uma clara identificação com o personagem (e não deboche). Entretanto, como toda obra artística que se propõe a questionar crenças e formas de ver tão entranhadas, cria-se um conflito – e não se deve fugir dele, mas investir no amadurecimento que ele favorece. Mas a pressa em ter uma opinião e torná-la pública influencia no exagero de críticas e represálias que o ato da jovem vem recebendo, pois o que menos se vê nos breves e superficiais textos que aparecem na minha timeline são perguntas, mas respostas. Será que esta performance e o que ela provoca não desarmoniza nosso olhar sobre um símbolo cristão tão rebatido (e gasto até) para colocá-lo em outro lugar – quem sabe até mais solidário e harmonioso com o mundo à nossa volta? Será que nossas opiniões tão duras e herméticas não revelam uma forma de ver o mundo baseada em certa “preguiça” de questionar? Por que é preferível ofender, criticar e exigir “mais respeito” do que procurar investigar o que motiva estas indignações? Será que a religião precisa rever seus limites? Será que a arte pode tudo? Será que, em 2015, ainda não cansamos das estereotipias?

Porque responder mais do que perguntar?

TagsEditorial
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Nos últimos anos, o mundo passou por transformaç Nos últimos anos, o mundo passou por transformações sociais, políticas e tecnológicas que questionam nossas relações com o espaço e a cultura. As tensões globais, intensificadas por guerras e conflitos, afetam a economia, a segurança alimentar e o deslocamento de pessoas. 

Nesse contexto, as fronteiras entre o físico e o virtual se diluem, e as Artes da Cena refletem sobre identidade, territorialidade e convívio, questionando como esses conceitos influenciam seus processos criativos. 

Com a ascensão da extrema direita, a influência religiosa e as mudanças climáticas, surgem novas questões sobre sustentabilidade e convivência.

Diante deste cenário, o dossiê #20 Território em Trânsito traz ensaios, podcasts e videocast que refletem sobre como artistas, coletivos e os públicos de Artes da Cena vêm buscando caminhos de diálogo e interação com esses conflitos.

A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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