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Entrevista – Comida, Canto e Reza | Cia do Tijolo

Por 4 Parede
22 de agosto de 2026
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Imagem – Alécio Cezar

Mais de um século depois da destruição de Canudos, a Cia. do Tijolo retorna ao episódio para deslocar o olhar do massacre e das figuras consagradas pela historiografia para as pessoas que construíram o cotidiano de Belo Monte. 

Vencedor do Prêmio APCA de Melhor Direção, Restinga de Canudos recupera histórias de professores, agricultores, indígenas, beatos, cantadores e outros moradores anônimos, apresentando Canudos não apenas como cenário de guerra, mas como experiência de convivência, resistência e invenção coletiva. Com criação e dramaturgia de Dinho Lima Flor e Rodrigo Mercadante e direção de Dinho Lima Flor, o espetáculo combina teatro, música ao vivo, poesia e elementos da cultura popular brasileira.

Na entrevista realizada por Márcio Andrade, a companhia reflete sobre a decisão de devolver protagonismo aos habitantes de Belo Monte, a disputa pelo direito de narrar a própria história e a presença do pensamento de Paulo Freire em sua pesquisa. A conversa aborda ainda a música como elemento estruturante da dramaturgia e a tentativa de recuperar, para além da violência que marcou a memória de Canudos, suas formas de solidariedade e organização popular. 

Fundada em 2008, a Cia. do Tijolo desenvolve uma pesquisa que articula teatro, música e poesia para revisitar personagens e episódios da história brasileira. De Concerto de Ispinho e Fulô, inspirado na poesia de Patativa do Assaré e na memória do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, a Restinga de Canudos, a companhia encontra na cultura popular e na ética freiriana caminhos para pensar memória, resistência e formas coletivas de existência.

A Guerra de Canudos costuma ser lembrada pelo massacre e pela figura de Antônio Conselheiro. O que motivou a companhia a deslocar o olhar para os personagens anônimos e para o cotidiano de Belo Monte?

Restinga de Canudos continua mergulhando forte no acontecimento do massacre de canudos e na trajetória de Antônio Conselheiro, esse líder popular, consciente, forte e misterioso. Mas para além desses dois assuntos fundamentais, era preciso alargar a percepção sobre o tema.

Uma luta do porte de Canudos, travada por um povo que venceu três vezes o exército da república, executando táticas surpreendentes na defesa do arraial, com força e coragem  imensas para defender sua terra, suas crenças e seus espíritos guerreiros, só foi possível porque aquele povo era uma junção de muitos povos, gente de muitas experiências diferentes, gente carregando muito sofrimento nas costas, muita dor, muita resistência, muita fé e amor também. 

O povo indígena, os caboclos, o povo negro, os brancos famintos, as crianças e os velhos: era essa gente que habitava Canudos, um caldo de sabedorias diversas que sabiam que a quela coisa, essa tal república, não ia dar certo para eles. Foi desse povo que nasceram bons estrategistas, gente que pensava nas táticas de emboscadas e gente unida na vontade.  

Portanto, depois de tudo isso, depois de todas as reflexões nascidas nos ensaios, era impossível não falar desse povo, era impossível não os colocar como os protagonistas da peça.   Porque Antônio Conselheiro estava junto das pessoas. Todo mundo vivia perto dele.  Aquele não era um projeto individualista de um homem sozinho. Como disse um dos remanescentes de Canudos: tudo era de todos e nada era ninguém.

Espetáculo ‘Restinga de Canudos’ | Imagem – Alécio Cezar

Duas professoras conduzem a narrativa do espetáculo. Qual o significado dessa escolha e como ela dialoga com o pensamento de Paulo Freire, que atravessa a pesquisa da Cia. do Tijolo?

Essas duas professoras, Marta Figueira e Maria Francisca Vasconcelos, faziam parte dessas andanças do Conselheiro junto do povo que migrava para Canudos na procura de uma brecha para uma vida melhor. Foram convidadas pelo Beato para dar aulas. Em Canudos, havia uma rua chamada Rua das Professoras, onde elas exerciam seu papel amoroso do ensino. Não era um saber vindo de fora. 

Na peça, as atrizes Karen Menatti e Odília Nunes dão vida às professoras, apresentando um panorama do século 19. Contam, à contrapelo, a história de Belo Monte. Essa história é muito importante para que a gente possa entender a violência do século 20 até os nossos dias. No espetáculo, elas disputam com Euclides da Cunha o direito de narrar a própria história. 

Convidamos para participar de uma das cenas a professora da Escola Nacional Florestan Fernandes, Silvia Adoue, uma estudiosa sobre Canudos. Paulo Freire é fundante nessa concepção de educação que concebe o saber, não como um depósito de conhecimentos de especialistas competentes, mas como processos de formação que respeitam os saberes das gentes. 

Canudos não precisou de generais, muito menos de geógrafos para, a partir do conhecimento de seu território, preparar sua resistência. Essa resistência só foi possível porque havia ali um saber. Com Paulo Freire, porque a gente aprendeu a ser ator e espectador ao mesmo tempo, aprendemos a  estar atentos aos tempos, lutar por causas bonitas e justas. A gente canta e come junto com o público. Chora e ri junto. É um ato amoroso, um convite para que  as pessoas  entrem em nosso barco navegante chacoalhado pela tempestade da  história.

A companhia costuma reunir teatro, música, poesia e elementos da cultura popular brasileira em seus trabalhos. Como essas linguagens dialogam em Restinga de Canudos e qual foi o papel da música na construção da dramaturgia?

Somos um grupo que gosta de cantar, dizer poesia, tocar instrumentos, se deliciar com o Brasil popular que requebra e canta muito! A música é a via principal, a argamassa que nos une numa mesma experiência. Além disso, também exerce um papel de narradora. Temos o compositor Jonathan Silva no grupo que, além da beleza das melodias e letras, traz uma espécie de síntese dramatúrgica para a cena. 

Quando, nos ensaios está tudo confuso,  Jonathan traz uma música e tudo se encaminha. Em Restinga de Canudos a gente canta Belchior e Zé de Teté, um poeta da mata norte pernambucana. Depois Jonathan Silva começou a compor as músicas originais da peça.

Em vez de apresentar Canudos apenas como uma tragédia histórica, o espetáculo evidencia formas de convivência, solidariedade e invenção coletiva. Que aspectos dessa experiência vocês acreditam que continuam inspirando o Brasil de hoje?

O Brasil está cheio de experiências bonitas. Os movimentos populares, os movimentos sociais sempre nos inspiram.  São eles que, com seus cantos, com suas místicas, lutam pela a terra, pela agricultura familiar e defendem a natureza como bem comum. É muita coisa bonita para se inspirar. 

Nosso primeiro ato é compartilhar a comida, um cuscuz de quase três quilos, feito minutos antes da plateia entrar. Dizemos com esse ato que antes de ser guerra, Canudos era comida, canto e reza. Um encontro dos comuns em comunhão: o comum comigo, o comum contigo, o comum com nós todos.

Espetáculo ‘Restinga de Canudos’ | Imagem – Alécio Cezar

A Cia. do Tijolo desenvolve, há quase duas décadas, uma pesquisa sobre história brasileira a partir das vozes que normalmente ficam à margem dos relatos oficiais. Como Restinga de Canudos dialoga com os trabalhos anteriores da companhia e quais novos caminhos ele inaugura?

Como dizia o poeta criador do Teatro Vento Forte, Ilo Krugli, nosso mestre, a gente sempre se continua. Somos movimento. Mas temos um norte ético/estético que orienta o curso desse rio que vem de longe. Paulo Freire e a poesia de Patativa do Assaré estão na origem de tudo. A poesia “popular” e a ética freiriana permanecem. Depois, vieram Garcia Lorca, Dom Helder Câmara, Maria Valéria Rezende…

Em nosso primeiro espetáculo, Concerto de Ispinho e Fulô, colocamos em cena Patativa do Assaré denunciando o massacre da comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, no Crato, Cariri cearense. Caldeirão foi uma das muitas comunidades comandadas por beatos que, ancorados no catolicismo popular, criaram comunidades de trabalho compartilhado. Eram chamadas experiências de comunismo primitivo. 

Caldeirão foi bombardeado. Um massacre quase que totalmente desconhecido. Caldeirão da Santa Cruz do Deserto é filho de Canudos. De Patativa a Conselheiro permanece a confiança nas formas de auto-organização popular, um respeito aos saberes múltiplos e o desejo de celebrar o lado vitorioso de experiências interrompidas pelo autoritarismo. 

Em termos de caminhos novos, Restinga de Canudos inaugura uma reflexão mais aprofundada sobre o tempo presente. Um espetáculo que pretende explorar os resultados das crenças positivistas que orientaram a fundação de nossa república e as contradições da “religião” capitalista, que, cegamente, continuam apostando em ideias como crescimento e progresso.

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Nos últimos anos, o mundo passou por transformaç Nos últimos anos, o mundo passou por transformações sociais, políticas e tecnológicas que questionam nossas relações com o espaço e a cultura. As tensões globais, intensificadas por guerras e conflitos, afetam a economia, a segurança alimentar e o deslocamento de pessoas. 

Nesse contexto, as fronteiras entre o físico e o virtual se diluem, e as Artes da Cena refletem sobre identidade, territorialidade e convívio, questionando como esses conceitos influenciam seus processos criativos. 

Com a ascensão da extrema direita, a influência religiosa e as mudanças climáticas, surgem novas questões sobre sustentabilidade e convivência.

Diante deste cenário, o dossiê #20 Território em Trânsito traz ensaios, podcasts e videocast que refletem sobre como artistas, coletivos e os públicos de Artes da Cena vêm buscando caminhos de diálogo e interação com esses conflitos.

A partir da próxima semana, na sua timeline.
#4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sob #4Parceria: Quer aprofundar seus conhecimentos sobre as histórias e as estéticas dos teatros negros no Brasil? 

Estão abertas as inscrições, até o dia 13/09, para a oficina on-line Saberes Espiralares - sobre o teatro negro e a cena contemporânea preta. 

Dividida em três módulos (Escavações, Giras de Conversa e Fabulações), o formato intercala aulas expositivas, debates e rodas de conversa que serão ministrados pela pesquisadora, historiadora e crítica cultural Lorenna Rocha. 

A atividade também será realizada com a presença das artistas convidadas Raquel Franco, Íris Campos, Iara Izidoro, Naná Sodré e Guilherme Diniz. 

Não é necessário ter experiência prévia. A iniciativa é gratuita e tem incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio do Funcultura, e parceria com o @4.parede 

Garanta sua vaga! 

Link na bio. 

Serviço:
Oficina SABERES ESPIRALARES - sobre teatros negros e a cena contemporânea preta
Datas: Módulo 1 – 16/09/24 – 20/09/24; Módulo 2 (participação das convidadas) – 23/09/24 – 27/09/24; Módulo 3 – 30/09/24 - 04/10/24. Sempre de segunda a sexta-feira
Datas da participação das convidadas: Raquel Franco - 23/09/24; Íris Campos - 24/09/24; Iara Izidoro - 25/09/24; Naná Sodré - 26/09/24; Guilherme Diniz - 27/09/24
Horário: 19h às 22h
Carga horária: 45 horas – 15 encontros
Local: Plataforma Zoom (on-line)
Vagas: 30 (50% para pessoas negras, indígenas, quilombolas, 10% para pessoas LGBTTQIA+ e 10% para pessoas surdas e ensurdecidas)
Todas as aulas contarão com intérpretes de Libras
Incentivo: Governo do Estado de Pernambuco - Funcultura
Inscrições: até 13/09. Link na bio

#teatro #teatronegro #cultura #oficinas #gratuito #online #pernambuco #4parede #Funcultura #FunculturaPE #CulturaPE
#4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano #4Panorama: O MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, ocorre de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

A sétima edição homenageia o Peru, com onze obras, incluindo espetáculos e apresentações musicais. O evento conta com doze peças de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, além de treze produções brasileiras de vários estados, totalizando 33 espetáculos. 

A curadoria propõe três eixos: sonho, floresta e esperança, abordando temas como questões indígenas, decoloniais, relações com a natureza, violência, gênero, identidade, migrações e diversidade. 

Destaque para "El Teatro Es un Sueño", do grupo Yuyachkani, e "Esperanza", de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro, que abrem o festival. Instalações como "Florestania", de Eliana Monteiro, com redes de buriti feitas por mulheres indígenas, convidam o público a vivenciar a floresta. 

Obras peruanas refletem sobre violência de gênero, educação e ativismo. O festival também inclui performances site-specific e de rua, como "A Velocidade da Luz", de Marco Canale, "PALMASOLA – uma cidade-prisão", e "Granada", da artista chilena Paula Aros Gho.

As coproduções como "G.O.L.P." e "Subterrâneo, um Musical Obscuro" exploram temas sociais e históricos, enquanto espetáculos internacionais, como "Yo Soy el Monstruo que os Habla" e "Mendoza", adaptam clássicos ao contexto latino-americano. 

Para o público infantojuvenil, obras como "O Estado do Mundo (Quando Acordas)" e "De Mãos Dadas com Minha Irmã" abordam temas contemporâneos com criatividade.

Além das estreias, o festival apresenta peças que tratam de questões indígenas, memória social, política e cultura popular, como "MONGA", "VAPOR, ocupação infiltrável", "Arqueologias do Futuro", "Esperando Godot", entre outras.

Serviço: MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, de 5 a 15 de setembro de 2024, em Santos. 

Para saber mais, acesse @sescsantos
#4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, #4Panorama: Nos dias 05, 14, 21 e 28 de setembro, acontece Ocupação Espaço O Poste, com programação que inclui a Gira de Diálogo com Iran Xukuru (05/09) e os espetáculos “Antígona - A Retomada” (14/09), “A Receita” (21/09) e “Brechas da Muximba” (28/09).

Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 467, Boa Vista - Recife/PE), com apoio do Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023, promove atrações culturais que refletem vivências afropindorâmicas em sua sede, no Recife/PE. 

A Gira de Diálogo com Iran Xukuru acontece em 05/09, às 19h, com entrada gratuita. Iran Xukuru, idealizador da Escola de Vida Xukuru Ynarú da Mata, compartilhará conhecimentos sobre práticas afroindígenas, regeneração ambiental e sistemas agrícolas tradicionais.

Em 14/09, às 19h, o grupo Luz Criativa apresenta “Antígona - A Retomada”, adaptação da tragédia grega de Sófocles em formato de monólogo. Dirigido por Quiercles Santana, o espetáculo explora a resistência de uma mulher contra um sistema patriarcal opressor. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Em 21/09, às 19h, Naná Sodré apresenta “A Receita”, solo que discute violência doméstica contra mulheres negras, com direção de Samuel Santos. A peça é fundamentada na pesquisa “O Corpo Ancestral dentro da Cena Contemporânea” e utiliza treinamento de corpo e voz inspirado em entidades de Jurema, Umbanda e Candomblé. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

No dia 28/09, às 19h, ocorre a 3ª edição do projeto “Ítàn do Jovem Preto” com o espetáculo “Brechas da Muximba” do Coletivo À Margem. A peça, dirigida por Cas Almeida e Iná Paz, é um experimento cênico que mistura Teatro e Hip Hop para abordar vivências da juventude negra. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso antecipado no Sympla.

Para saber mais, acesse @oposteoficial
#4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido #4Papo: O espetáculo MACÁRIO do brazil, dirigido por Carlos Canhameiro, estreia no TUSP Maria Antonia e segue em temporada até 1º de setembro de 2024. O trabalho revisita o clássico Macário, de Álvares de Azevedo (1831-1852), publicado postumamente em 1855. Trata-se de uma obra inacabada e a única do escritor brasileiro pensada para o teatro.

Para abordar o processo de criação da obra, o diretor Carlos Canhameiro conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Macário é uma peça inacabada, publicada à revelia do autor (que morreu antes de ver qualquer de seus textos publicados). Desse modo, a forma incompleta, o texto fragmentado, com saltos geográficos, saltos temporais, são alguns dos aspectos formais que me interessaram para fazer essa montagem’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
#4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário #4Papo: O livro Elegbára Beat – um comentário épico sobre o poder é fruto dos 20 anos de pesquisa de rodrigo de odé sobre as relações entre capoeira angola, teatro negro, cinema, candomblé e filosofia africana. 

Publicado pela Kitabu Editora, o texto parte da diversidade racial negra para refletir sobre as relações de poder no mundo de hoje. O autor estabelece conexões entre o mito de nascimento de Exu Elegbára e algumas tragédias recentes, como o assassinato do Mestre Moa do Katendê, o assassinato de George Floyd, a morte do menino Miguel Otávio e a pandemia de Covid-19.

Para abordar os principais temas e o processo de escrita do livro, o autor rodrigo de odé conversou com o Quarta Parede. Confira um trecho da entrevista:

‘Em Elegbára Beat, a figura de Exu também fala sobre um certo antagonismo à crença exagerada na figura da razão. Parafraseando uma ideia de Mãe Beata de Yemonjá, nossos mitos têm o mesmo poder que os deles, talvez até mais, porque são milenares. Uma vez que descobrimos que não existe uma hierarquia entre mito e razão, já que a razão também é fruto de uma mitologia, compreendemos que não faz sentido submeter o discurso de Exu ao discurso racional, tal como ele foi concebido pelo Ocidente. Nos compete, porém, aprender o que Exu nos ensina sobre a nossa razão negra’

Para ler a entrevista completa, acesse o link na bio.
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